Dois jornalistas. Dois países. Um programa de televisão com 13 episódios, entre o documentário e o talk-show que tinha como objectivo mostrar Portugal aos brasileiros e o Brasil aos portugueses

A ideia era simples. Semelhanças e diferenças, curiosidades, preconceitos e ideias feitas, resgate histórico entre dois países, separados por um oceano, mas com uma filiação intrinseca. 

E coube à Digital Azul, a produção executiva e o fornecimento dos meios técnicos e humanos para as gravações em Portugal.


 

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A estrutura do programa assentava em conversas descontraídas, que partiam depois para reflexões mais profundas através de entrevistas a personalidades diversas dos dois lados do oceano, feitas através de voIP, de entrevistas de rua a cidadãos comuns e de reportagens. Em Portugal e no Brasil, queria-se fazer a narrativa de encontros e desencontros memoráveis entre os dois países, ilustrados com peças jornalísticas, biografias, frases de autores de renome, clips e imagens dos arquivos históricos da RTP e da TV Cultura, as duas estações de televisão que coproduziram a série.

Carlos Fino, o jornalista português, e Paulo Markun, o jornalista brasileiro, a partir das suas próprias casas, para as quais se convidaram mutuamente, reproduziam o tom da secular familiaridade existente entre os dois países.

 

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A pré-produção da série "Brasil, Portugal - Lá e Cá" demorou cerca de um ano, dos dois lados do oceano. Depois de muitos meses de pesquisa e investigação, e escritos os primeiros pré-guiões dos episódios estavam identificados os temas e as personalidades a entrevistar, bem como os ângulos de abordagem aos assuntos pertinentes na relação entre os dois países. E foi assim que ficou:

episódio 01: Brasil e Portugal;

episódio 02: Lá e Cá;

episódio 03: Pai e Filho;

episódio 04: Língua;

episódio 05: Heranças;

episódio 06: Clichês;

episódio 07: Espírito do Povo;

episódio 08: Colónias;

episódio 09: As Novas Faces do Trabalho;

episódio 10: África;

episódio 11: Mitos;

episódio 12: Globalização;

episódio 13: O Futuro.


Treze programas, um número normativo das temporadas televisivas, que iam exigir um grande esforço de coordenação e produção, não só pelo número de entrevistas que supunham mas também e sobretudo pela distância a que estavam as duas equipas de produção e pelos meios técnicos envolvidos.
Na Digital Azul, fizemos o que fazemos sempre nas nossas Produções Executivas: um plano de produção sistematizado para optimizar os fluxos de trabalho e não perder tempo com situações que podiam ser antevistas e preparadas; e isso começou ainda na pré-produção de conteúdos e técnica.
Visitas e testes técnicos. Repérage. Escolha do formato de gravação. Contactos de pré-produção para marcação de entrevistas e obtenção de autorizações. Escolha de cenários de gravação de entrevistas. Recolha e preparação de imagens de arquivo - no Arquivo Histórico da RTP, numa autêntica viagem no tempo através da imagem. A lista podia continuar.
Começámos por definir os formatos de gravação, de forma a não haver problemas de compatibilidade entre o sistema PAL, português e o sistema NTSC, brasileiro. Após diversos testes entre a Digital Azul e a TV Cultura, optou-se pelo formato 1080i60 em ficheiros Quicktime XDCAM. Eliminava-se assim a necessidade de digitalização de cassetes e acelerava-se o envio de imagens para o Brasil, onde a pós-produção iria ser feita.

 

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A fase de produção tinha de ser rápida. Incluía uma semana intensa e intensiva de gravações em Fronteira, no Alentejo, entrevistas de rua para fazer vox pop, entrevistas a personalidades portuguesas e brasileiras algumas delas via Skype com equipas a gravarem dos dois lados do oceano para garantir que tudo corria bem. E também gravações um pouco por todo o país, com especial relevância para a zona de Belém e do Parque das nações.

Investigaram-se diversas tecnologias de comunicações, de gestão de media, de colaboração para o trabalho em Fronteira. A lei de Murphy atuaria sobre nós se não fosse tudo assegurado várias vezes. Fazer entrevistas via Skype, e gravá-las para emissão numa altura em que em televisão poucos usavam o sistema era ambicioso. Fizemos uma bateria de testes para garantir que nada falhava: ligações por Internet, métodos de gravação HD, captação de som e intercomunicações. E tripla redundância não fosse a lei de Murphy e o isolamento do Alentejo quererem brincar connosco e destruir a filosofia do projeto, baseada em conversas informais. e fluidas em que as entrevistas eram a continuação lógica e subtil dos argumentos introduzidos por Carlos Fino e Paulo Markun. Durante as gravações em Florianópolis entrevistaram-se duas pessoas em Lisboa por videoconferência e durante as gravações em Fronteira entrámos em contato quatro vezes para diferentes estados no Brasil e uma vez para Lisboa. Tudo com equipas de reportagem a fazerem gravação simultânea dos dois lados do Atlântico.
Nas gravações no Alentejo, usámos sempre três câmaras iguais de alta-definição JVC GY-HM700E, todas elas com a mesma configuração para garantir que se obtia a mesma qualidade de imagem e uma consistência cromática entre todas elas. E como o programa ia ser editado no Brasil os settings eram NTSC. Do lado brasileiro, a transcodificação dos masters finais para PAL foi feita pela mesma infraestrutura que o faz para as novelas brasileiras vendidas para o mercado europeu.
Montou-se uma régie e um sistema de intercomunicação que permitia à realizadora visualizar as imagens que estavam a ser gravadas e dar instruções em tempo real para cada um dos operadores de imagem. Isso implicou o desenvolvimento de métodos de trabalho e a criação de alguns equipamentos específicos para obter uma solução tecnológica optimizada para este tipo de gravação.

 

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Com três câmaras a gravar em simultâneo, garantir a identificação dos planos pelos nomes dos ficheiros, indexação dos planos e das cenas e conseguir que no processo não se perca nenhuma informação (ficheiro) é uma tarefa crucial! Os números falam por si: em três dias criaram-se 890 ficheiros, num total de 1191 Gb. Contas por alto são 1.300 minutos de gravação ou seja cerca de 21 horas e 40 minutos de imagens. Um pouco mais de 7 horas e 40 minutos de gravação em cada câmara durante os três dias, logo mais de dois horas e meia de gravação diária real por câmara. Tudo em ficheiros que não se podem voltar a gravar.
A gestão de dados é por isso uma tarefa que exige concentração e bastante metodologia. É fácil perder "o fio à meada" e apagar ficheiros indevidamente. Em gravações multi-câmara é uma tarefa a tempo inteiro. E como neste tipo de workflow não pode existir falhas, optou-se por uma solução de triplo backup on location para que todos ficassem mais descansados. Todos menos a pessoa encarregue da gestão de dados! Para sossego de todos, a integridade dos ficheiros foi garantida e não houve um único plano que se tivesse perdido.

 

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E alguns planos ficaram memoráveis, de tanto cuidado com que os fizemos. A estética portuguesa, elegante devia transparecer para mostrar um Portugal desconhecido no Brasil. Revelou-se nos adereços tradicionais como as mantas do Alentejo ou de luxo como as tapeçarias de Portalegre usadas, e no cuidado com enquadramentos e iluminação. E revelou-se no trabalho de captação de imagem, com as câmaras, nas conversas entre Fino e Markun, montadas em tripés mas sem estarem trancadas ou fixas. Existem permanentes oscilações de enquadramento que acrescentam dinâmica visual e que é percepcionada pelos espectadores como "um estar ali na sala à conversa com os apresentadores". Essa era a filosofia. Sabemos que conseguimos transmiti-la e isso orgulha-nos.

 

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O Alojamento
O Monte dos Aroeiras é uma antiga quinta rodeada de olival, recuperada para Turismo de Habitação. Tem piscina e pequeno almoço buffet que ficou na memória de toda a equipa de produção. Foi uma excelente opção da produção por ficar muito perto do local das gravações.
Monte dos Aroeirais http://bit.ly/zJdZaS

Os Lanches
A D. Maria Luisa e o seu marido Sr. Mariano, vizinhos e amigos de Carlos Fino asseguraram dia após dia os lanches da manhã e da tarde para toda a equipa. E se eram boas as comidinhas, bolos caseiros, sandes, salgados e um ou outro exemplar da boa pastelaria portuguesa... Saudades!

As Refeições
O restaurante Fonte Nova foi uma solução 100% acertada. Repastos rápidos e perfeitamente sincronizados com o ritmo de gravações, além de ajustes na ementa a gosto. Jorge, muito obrigado.
Restaurante Fonte Nova (+351 245604256)

O décor
Cruciais ao desenvolvimento da filosofia visual do projeto, foram incansáveis. Fizeram deslocar pessoas aos décors para nos ajudar com a escolha das peças e cederam-nas durante a semana de gravações
Tapeçaria de Portalegre:
Manufactura de Tapeçarias de Portalegre http://bit.ly/AyDEXy
Contacto:
Vera Fino, Diretora
Manta Alentejana:
Fábrica Alentejana de Lanifícios - http://bit.ly/dyND5m
Contacto Mizette Nielsen, Proprietária da Fábrica

 

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Equipa Digital Azul - Portugal

Produção Executiva
: João Tocha

Pesquisa/Reportagem: 
Adelaide Coelho

Assistentes de Produção: 
Antonio Rosmaninho
 e Teresa Martins

Supervisão Técnica
: José Manuel Tocha
ee Ramiro Leite

Directora de Fotografia: 
Andreia Santos

Auxiliar de Iluminação
: Flávia Lombardi

Assistentes: 
Antonio Nascimento e 
Pedro Vieira

Operadores de Imagem: 
Francisco Levita
, João Massapina
, Vítor Sousa, 
Ricardo Augusto

Estagiária de Iluminação e Imagem: 
Margarida Lisboa

Gestão de Dados: 
Pedro Motta

Técnico de Som
: Adalberto Neves

Maquilhadora: 
Ana Isabel