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Muitas conversas, trocas de ideias, de pontos de vista e debates para determinar quem abordar, qual o ângulo de cada tema e que perguntas fazer...

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Investigaram-se também  diversas tecnologias de comunicações, de gestão de media, de colaboração que permitiram colocar de pé este conjunto de 13 documentários.

Este é o nosso ponto de vista, enquanto produtora, do que foi produzir o programa com particular destaque para uma semana fantástica em Fronteira, no Alentejo.

A Pesquisa

A série "Lá e Cá" é composta pelos seguintes episódios:

- Episódio 01 - Brasil e Portugal
- Episódio 02 - Lá e Cá
- Episódio 03 - Pai e Filho
- Episódio 04 - Lingua
- Episódio 05 - Heranças
- Episódio 06 - Clichês
- Episódio 07 - Espirito do Povo
- Episódio 08 - Colónias
- Episódio 09 - As Novas Faces do Trabalho
- Episódio 10 - África
- Episódio 11 - Mitos
- Episódio 12 - Globalização
- Episódio 13 - O Futuro

Uma das partes mais aliciantes e desafiadoras do projecto foram a pesquisa e a investigação; determinar que assuntos eram interessantes para cada uma das audiências em cada um dos países.

Os temas abordados pelo conjunto dos treze documentários são bastante vastos e muito diferentes. Assim pudemos, em primeira mão, ir descobrindo um Brasil que nós não conhecíamos e dar a conhecer um Portugal desconhecido para a equipa Brasileira que trabalhou connosco.

Para o efeito existiram várias conversas presenciais em Lisboa, em Fronteira e por videoconferência bem como largas centenas de e-mails a debater os mais variados assuntos.

O desafio consistia em determinar quem seriam as pessoas a ser entrevistadas e quais as perguntas que lhes deviam ser feitas. Poder assistir às respostas que foram dadas ao longo das 40 entrevistas que fizemos foi uma experiência extremamente enriquecedora.

Tudo isto num diálogo muito franco e aberto com a realizadora Laine Milan e com os diversos guionistas que trabalharam no projecto.

Passámos também múltiplas horas nos Arquivos da RTP onde contámos com a colaboração inestimável de todos os documentalistas que lá trabalham, os quais muitas vezes permitiram que se ficasse bem para além dos horários de funcionamento numa empresa pública. Foi fantástico. Uma autêntica viagem no tempo através dos materiais a que tivemos acesso
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O Alojamento

As filmagens em casa de Carlos Fino em Fronteira tomaram lugar em Agosto de 2009. Cinco dias de filmagens non stop em pleno Alentejo, em Agosto... Repito Alentejo... Agosto!!! Temperaturas de 40ºC e a atmosfera abafada do Alentejo no Verão!!! Quinze pessoas a trabalhar de sol a sol... Sabíamos o que nos esperava!!! No mínimo muito CANSAÇO e muito, MUITO CALOR...

Assim, uma das preocupações que a equipa de produção teve foi obviamente, o repouso!!!

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Encontrou-se um lugar óptimo. Perto da casa de Carlos Fino (5 mins de carro) mas afastado do centro. Um local tranquilo e pronto a ser ocupado por uma equipa de produção a trabalhar a um ritmo alucinante e a necessitar de recarregar baterias da noite para o dia. Literalmente!


Um verdadeiro monte alentejano com bons pequenos almoços, sala de jogos e muito importante... Piscina!

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Chegar de uma jornada de filmagens e passar um bocado dentro de água a beber algo fresquinho enquanto se fazem as contas do dia, é particularmente retemperador!

Depois, ter um bom colchão num quarto com a temperatura correcta sabendo que o pequeno almoço será genial. Será genial porque para além de géneros de primeira, incluirá até um belo café expresso (de uma marca muito conhecida). Estes "miminhos" de produção foram capazes de levantar diariamente (e sem stresses) todos os membros de uma equipa de 15 pessoas.

Muito obrigado a: Maria José Carvalho e Viórica

Fica aqui a nossa recomendação para uma muito agradável estadia em Fronteira

Monte dos Aroeirais (www.montedosaroeirais.com)


Alimentar a equipa


Os Lanches

Outra das questões superiormente tratada pela produção foram os lanches, também conhecidos por snacks. Quem anda nestas andanças sabe como a fome pode apertar durante as gravações. E são fomes indescritíveis, de adolescente. Daquelas fomes que nos fazem devorar qualquer comida que nos apareça pela frente.

É aqui que entra a D. Maria Luisa e o seu marido Sr. Mariano, vizinhos e amigos de Carlos Fino! Foram eles que asseguraram dia após dia comes e bebes durante a manhã e à tarde para toda a equipa. E se eram boas as comidinhas, bolos caseiros, sandes, salgados e um ou outro exemplar da boa pastelaria portuguesa... Saudades!


As Refeições

No que diz respeito a refeições, o restaurante Fonte Nova foi uma solução 100% acertada. Repastos rápidos e perfeitamente sincronizados com o ritmo de gravações além de ajustes na ementa aos gostos da malta. O Sr. Jorge Correia entendeu perfeitamente a dinâmica de filmagens e foi um elemento preponderante no cumprimento integral de um calendário de filmagens no minimo ambicioso!

Jorge, muito obrigado.

Restaurante Fonte Nova (+351 245604256)

Tecnologias de Captação de Imagem

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Um dos primeiros aspectos técnicos a definir para esta produção foi o formato de gravação. Havia a necessidade de assegurar coerência de qualidade entre as duas equipas, que trabalhavam separadas pelo Oceano Atlântico.

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Assim após diversos testes em conjunto com a TV Cultura, chegàmos à conclusão de que as equipas de Portugal e do Brasil iriam gravar em formato 1080i60.

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A tecnologia de gravação adoptada em Portugal foi gravar directamente para ficheiros Quicktime, em formato XDCAM, eliminando assim do processo de trabalho a necessidade de digitalização de cassetes. O que nos permitiu muitas vezes enviar para a equipa do Brasil imagens gravadas no próprio dia.

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Para as gravações no Alentejo foram necessárias três câmaras iguais de Alta-Definição.
A nossa opção recaiu sobre a câmara JVC GY-HM700E. Era essencial assegurar que todas as câmaras tinham exactamente a mesma configuração e garantir que obtíamos a mesma qualidade de imagem entre elas.

Montou-se uma régie e um sistema de intercomunicação que permitia ao realizador visualizar as imagens que estavam a ser gravadas e dar instruções em tempo real para cada um dos operadores de imagem.


Gestão de Dados


Para a gravação em Fronteira, no Alentejo, foram necessárias três câmaras de Alta definição, todas a gravar em HD directamente para ficheiros Quicktime XDCAM, prontos para edição. Uma vez que o projecto ia ser editado no Brasil definiram-se settings de NTSC em vez de se gravar no formato PAL. 


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A gestão de dados é uma tarefa mais ou menos recente que ganhou particular destaque em produção com o advento das câmaras digitais a gravarem em ficheiros. Como estamos a trabalhar com objectos não tangíveis é uma tarefa que requer alguma concentração e bastante metodologia pois facilmente se perde "o fio à meada" e apagar ficheiros indevidamente é algo que está à distância de um botão e não pode acontecer.

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Garantir a identificação dos planos pelos nomes dos ficheiros, indexação dos planos e das cenas e conseguir que no processo não se perca nenhuma informação (ficheiro) é uma tarefa e tanto! Na realidade, em filmagens multicâmara é uma tarefa a tempo inteiro. E que ocupa uma pessoa permanentemente.

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Vamos ver detalhes:

- Um bom computador capaz de ler pelo menos 3 ficheiros HD em simultâneo
- 3 Câmaras
- 9 Cartões (3 * 32Gb + 3 * 16Gb + 3 * 8Gb)

Como referência fica o seguinte: os cartões de 32 Gb permitem gravar +/- 100 mins e demoram cerca de 30 mins a serem copiados para um computador (em USB).

O plano de rodagem permitia os seguintes momentos para cópia de cartões...

Interrupção de 15 a 30 mins a meio da manhã
Interrupção de hora a hora e meia para almoço
Interrupção de 15 a 30 mins a meio da tarde


No entanto, sempre que havia gravações de exteriores estes momentos eram obviamente suprimidos, fazendo aumentar a quantidade de informação nos cartões a ser passada para os suportes de backup na paragem seguinte.


Em três dias criaram-se 890 ficheiros num total de 1191 Gb! Contas por alto são 1.300 mins de gravação ou seja cerca de 21 horas e 40 minutos de filmagens!!! Um pouco mais de 7 horas e 40 minutos de gravação em cada câmara durante os três dias, logo mais de  dois horas e meia de gravação diária por câmara!!!

Os números são impressionantes, mas... São tudo ficheiros que não se podem voltar a gravar. E como neste tipo de workflow não podem existir falhas... Optou-se por uma solução de triplo backup on location para que todos ficassem mais descansados. Todos menos a pessoa encarregue da gestão de dados! É que a equipa não pode parar para que os materiais sejam copiados ou organizados!!! E esta tarefa é efectuada nos intervalos, por mais pequenos que sejam... e alguns são mesmo pequenos!

Concentração é a palavra para definir esta tarefa!

Como nota e a título de exemplo: em 80% do tempo não houve um único suporte dos quatro usados (três discos de backup + computador) que tivesse tudo o que já tinha sido gravado. Na realidade, isso só acontecia durante a noite uma vez que era o único período do dia em que os tempos de cópia e duplicação de ficheiros não interferiam com as gravações.

Esta gestão de dados é uma excelente ferramenta para dissipar as eventuais dúvidas que se colocam durante a rodagem, pois - se for bem feita (em termos de organização e indexação) - pode-se rever qualquer momento das filmagens muito rapidamente.





Como podem ver pelas fotografias a Laine e a Laura adoraram o nosso on set Video Assist pensado de raiz para fazer rushes diários!!!

Filosofia Visual


Neste projecto, algo que sempre esteve presente em todas as nossas decisões foi a premissa de dar a conhecer à audiência brasileira, um Portugal que não lhes é muito familiar. Como tal, exigimos de nós próprios que houvesse um enorme cuidado ao nível da estética; no fundo um cuidado especial com a iluminação de todos os décors, algo que também está espelhado, entre outras coisas, na escolha de adereços.


 Nestes frames de entrevistas, por exemplo, denota-se um cuidado extremo com os fundos e com os adereços.


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Carlos Val Ferraz


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José Miguel Ribeiro


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Rodrigues Vaz



No nosso décor em Fronteira (Alentejo) sentimos a necessidade de introduzir elementos tradicionais alentejanos que reforçassem a identidade portuguesa. Recorremos, por isso, a vários parceiros locais para a decoração, por exemplo, do sofá coberto com mantas Alentejanas, de uma das paredes com uma tapeçaria de Portalegre pendurada e em vários outros elementos que obviamente não vamos listar mas que, no seu todo, acabam por dar a cada um dos planos um toque identificativo e familiar que faz com que um português reconheça facilmente cada uma das imagens.

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Casa de Fronteira - Interior sala (Inicio do Travelling)

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Casa de Fronteira - Interior sala (Fim do Travelling)

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Casa de Fronteira - Interior da sala

Repare nas sombras na parede. Nesta sequência é possível ver como são criadas, ainda que de forma simplificada.

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Coloca-se uma máscara à frente da iluminação...

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Ajusta-se o tamanho e o desfoque...

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O efeito final no décor


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Casa de Fronteira - Interior da sala com cozinha como fundo

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Casa de Fronteira - Zona de Chat e a sala como fundo

Ficam aqui os links para alguns dos fornecedores dos adereços usados:

Tapeçaria de Portalegre:  http://www.mtportalegre.pt/

Contacto Vera Fino, Directora Manufactura Tapeçarias de Portalegre


Mantas alentejanas

Fábrica Alentejana de Lanifícios Manta Alentejana - http://www.alquimista.net/htm/fabr_lanificios.htm
Mizette Nielsen Proprietária da Fábrica

É importante referir a enorme abertura de ambas as instituições a este projecto e à premissa da filosofia visual, fazendo deslocar pessoas aos décors para nos ajudar com as escolhas das peças e a cedência das mesmas durante todo o tempo de filmagens.


Nos outros décors de conversa entre Carlos Fino e Paulo Markun denota-se uma clara preocupação com as mesmas questões de iluminação, décor e adereços como se poderá comprovar nestes frames.

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Casa de Fronteira - Exterior

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Interior do Café Martinho d'Arcada (atrás das câmaras)

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Interior Café Martinho d'Arcada (Plano Conjunto)

Há um último apontamento em relação à filosofia visual do Lá e Cá que tem a ver com o trabalho de captação de imagem. As câmaras, nas conversas entre Fino e Markun, estiveram montadas em tripés mas sem estarem trancadas ou fixas. Existem permanentes oscilações de enquadramento que acrescentam dinâmica visual e que é percepcionada pelos espectadores como se lá estivessem, naquele espaço acolhedor, indo assim fortalecer o ambiente quente e familiar desejado pela "nossa" filosofia visual.

Videoconferência
Este projecto contou com um inovador e intensivo uso de sistemas de videoconferência para que os jornalistas (Carlos Fino e Paulo Markun) pudessem a partir dos locais de gravação (Florianopolis, Brasil e Fronteira, Alentejo) colocar questões directamente aos vários convidados do programa. Isto levantou diversos desafios! Foi necessário assegurar que as equipas de reportagem/videoconferência tivessem tudo pronto para que na hora específica pudessem entrar em directo com as equipas de gravação.

Durante as gravações em Florianópolis foram entrevistadas duas pessoas em Lisboa por videoconferência e durante as gravações em Fronteira entrámos em directo quatro vezes para diferentes estados no Brasil e uma vez para Lisboa.

Isto tipo de gravação exigiu que efectuássemos diversos testes para assegurar variados factores como as ligações por Internet, os métodos de gravação HD, a captação de som e as intercomunicações. E mais importante que tudo, era necessário que esta solução tecnológica fosse transparente para entrevistadores e entrevistados. Não queríamos que a tecnologia fosse causa de distracção durante as entrevistas.

Todos estes factores implicaram o desenvolvimento de novos métodos de trabalho e inclusive a criação de alguns equipamentos específicos para obtermos uma solução tecnológica ideal para este tipo de gravação.

Em Fronteira, no Alentejo, assegurámos uma tripla redundância nas comunicações de forma a garantir que não existissem quaisquer falhas. Até porque a capacidade de efectuar estas entrevistas por videoconferência era fundamental à filosofia do projecto uma vez que algumas das questões a serem colocadas aos entrevistados partiam de argumentos introduzidos durante as conversas entre Carlos Fino e Paulo Markun. Ou seja, embora houvesse um guião elaborado este era suficientemente aberto à espontaneidade das conversas e argumentos criados entre Carlos Fino e Paulo Markun.

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Equipa Digital Azul - Portugal

Produção Executiva
João Tocha

Pesquisa/Reportagem
Adelaide Coelho

Assistente de Produção
Antonio Rosmaninho
Teresa Martins

Supervisão Técnica
José Manuel Tocha
Ramiro Leite

Directora de Fotografia
Andreia Santos

Auxiliar de Iluminação
Flávia Lombardi

Assistentes
Antonio Nascimento
Pedro Vieira

Operadores de Imagem
Francisco Levita
João Massapina
Vítor Sousa
Ricardo Augusto

Estagiária de Iluminação e Imagem
Margarida Lisboa

Gestão de Dados
Pedro Motta

Técnico de Som
Adalberto Neves

Maquilhadora
Ana Isabel